Making of #7 [trânsito]


Retomamos a série de 'making ofs' para contar como foi fazer o livro "Trânsito" (que será lançado em março).

De algum modo, o projeto começou em 2013, quando nos mudamos do Rio para São Paulo. É claro que no Rio já estávamos acostumados aos congestionamentos, afinal é uma cidade com poucas opções de caminho e, por isso, sempre fica travada. Por outro lado, se comparada a São Paulo, é uma espécie de “cidade-miniatura”, então tivemos uma grande surpresa ao chegar aqui: não tanto com o trânsito em si, mas com a relação que a cidade tem com o trânsito. Para começar, há muitos caminhos e possibilidades de escapar dos congestionamentos (ou de entrar neles), daí a existência de uma rádio só de trânsito ou de aplicativos que sugerem os melhores caminhos em horários específicos.

Além disso, aprendemos um método de medição dos níveis de congestionamento que consiste em somar os carros que estão parados e ver quantos quilômetros eles ocupariam se estivessem em linha reta! É comum ouvir frases assim: “hoje vamos bater um recorde: 350km de congestionamento”. É como se estendessem a cidade numa linha reta sem curvas e ela virasse uma estrada. Todos esses carros acumulados numa estrada chamada via Dutra quase chegariam ao Rio!

Mas o mais surpreendente foi descobrir que aqui situam geograficamente os congestionamentos usando apenas duas referências (e não quatro, como na rosa dos ventos): “centro” ou “bairro”. Ou seja, dizem que a avenida tal está parada "no sentido centro" ou no "sentido bairro". Mas e se a tal avenida for para outra direção? Não importa, sempre encontram um jeito de se referir ao centro ou ao bairro para situar o congestionamento. Já perguntamos para vários paulistanos, mas ainda não entendemos como funciona essa bússola.

(em seguida, falaremos um pouco do livro! )