Making of #1

Antes de vir para São Paulo, eu e o Leo tínhamos vontade de fazer um selo para editar mini-livros, traduções, ensaios, poéticas. Uma vez, fizemos de brincadeira capas para uma editora imaginária: começamos pegando o primeiro livro que estava sobre a mesa – era um do william carlos williams – e abrindo ao acaso. Caímos no poema “Catholic bells”, que seria o nome do nosso selo imaginário. Nesse dia, como num parque de edições, fizemos algumas capas imaginárias para livros já existentes a partir de fotos antigas compradas por uma bagatela na feirinha de sábado da praça xv.

No ano passado, começamos a fazer perguntas mais concretas sobre um possível selo: quais seriam os primeiros livros? Como ele se chamaria de verdade? E perguntas mais gerais: quais os primeiros passos para editar? E os seguintes? Como se dá esse processo? Quais ferramentas necessárias?

Um dia, na esquina de casa, vimos uma loja que fazia conversão de VHS, super 8, fitas k7 em arquivos digitais. O nome "super 8" ficou ecoando, não só pela sonoridade, mas por falar da possibilidade de produzir de forma independente. A ideia da câmera na mão é boa pela simplicidade: fazer com recursos mínimos. Chegamos a criar um logo com o S sobreposto ao 8 que parecia funcionar bem, até que, numa conversa com uma amiga, lembramos que já existe uma editora com o numeral 8 no nome, a 8 ½, e que, principalmente, existe outra editora com o numeral 7 no nome, a 7letras!, onde trabalhei durante muitos anos e aprendi muito do que sei sobre editar... Tem também a 34, alguém poderia lembrar... Pois é, depois dessas lembranças todas, desistimos do 8 e do 7 e de qualquer outro número (para o nome! embora a concepção editorial possa ser herdeira dessas editoras...) E seguimos em busca de um nome...